Como devem ter reparado, gosto de escrever. Não apenas de transmitir aquilo que vivo mas também de escrever. Tanto gosto do som do teclado como da caneta. De uma e de outra forma, rasgo a imaginação à procura das palavras que se adequem a cada situação. Contudo, não há descrição que supere a realidade. Nas entrelinhas da vida, há sensações que não cabem no papel. Os mamilos que crescem sob a textura da minha língua. Os gemidos que interrompem a noite. O momento em que o caralho, inesperadamente, se submerge na cona. A respiração ofegante de uma mulher que cavalga ao sabor da excitação. Tudo isto pode ser descrito e até suscitar em quem lê desejo sexual mas nunca poderá transmitir na perfeição a realidade do que se sentiu.
Apesar disso, uma vez contei uma experiência que tive a uma amiga. Enquanto a descrevia, ela masturbava-se. Enredava-se nos próprios dedos e olhava-me. Mas, principalmente, escutava-me. Veio-se pouco depois. E, segundo me contou, deu-lhe um prazer inesperado. Depois, pegou-me no caralho e chupou-mo. Lambeu tudo com muito cuidado. De seguida, atirou-se de costas para o sofá e acendeu um cigarro. Conversámos toda a noite, sobre tudo e sobre nada.